





O Teatro é efémero, bem como quase todo o trabalho de pesquisa que lhe está associado e as vivências dos seus protagonistas.
Resta-nos manter viva a memória e alinhar alguns registos para balizar o percurso deste grupo.
Este texto, juntamente com outros que têm vindo a ser feitos em diversas ocasiões, alguns mesmo já publicados, pretende contribuir para uma reflexão mais profunda e participada, que sistematize os dados resultantes desta experiência de trabalho, neste momento em que se completa uma década de existência do grupo.

ORIGENS
A abertura em 1977, da Escola Preparatória de Santo André, local com características bem distintas do que é hoje esta nossa Vila, estimulou os professores aí colocados a realizar, com regularidade, actividades de animação que a caracterizaram então como escola dinâmica e aberta ao meio, graças sobretudo à imaginação, disponibilidade e profissionalismo dos seus professores.
De entre as inúmeras iniciativas que a escola realizava com regularidade, destacavam-se as festas de final de período, que incluíam invariavelmente pequenas representações teatrais.
De ano para ano, estas experiências foram ganhando adeptos entre os alunos e a actividade foi-se estruturando com o contributo de alguns colegas mais experientes ou simplesmente mais disponíveis.
Nesta altura, a escola preparatória recebia anualmente um corpo docente quase integralmente novo... e entre tanta gente aparecia por vezes quem tivesse um livro apropriado, um contacto interessante, umas ideias novas...
Como corolário do interesse suscitado por aquelas actividades e da experiência acumulada ao longo dos anos, formou-se, no ano lectivo de 1985/86, uma oficina de Expressão Dramática e Teatro a que demos o nome de Teatril. Durante esse ano, os jovens envolvidos naquele projecto, realizaram três peças de teatro para a infância, que representaram várias vezes para as crianças desta região.
Considerando a duração do projecto, a forma como foi estruturado e a motivação gerada nos jovens que nele estiveram envolvidos, podemos considerar que com aquele grupo tiveram início em Santo André as actividades de Teatro na escola..
O GATO surgiu inicialmente como um projecto multidisciplinar integrado no plano de trabalho de estágio pedagógico de alguns professores estagiários da Escola Secundária de Santo André, no ano lectivo de 1987/88.
De todos os jovens envolvidos, logo se destacou um grupo muito motivado que já tinha participado no “TEATRIL” , oficina de Expressão Dramática e Teatro, que culminara vários anos de experiências de animação realizadas na Escola Preparatória de Santo André.
Pretendiam aqueles professores montar uma peça e eu sugeri um texto do Sérgio Godinho, que um amigo me oferecera, era o “Eu, Tu, Ele, Nós, Vós, Eles ...”
Esta iniciativa foi coroada de êxito e o projecto adoptou o nome de GATO.
Concluído o estágio, terminado o projecto, nem por isso morreu a chama ateada em cada jovem. Assim, no ano seguinte, com a conclusão do estágio e a saída daqueles professores, o grupo refez-se em torno das propostas de trabalho iniciadas com o TEATRIL e com o professor responsável por aquele projecto, estruturando-se como Grupo de Teatro da Escola Secundária de Santo André e adoptando a designação de GATO SA ( para o distinguir de outros gatos ...) .
Em Outubro de 1988 reunia o núcleo fundador do GATO SA.. O objectivo era agora claramente constituir um grupo que se dedicasse à Expressão Dramática e ao Teatro, fundado na Escola Secundária, mas com o apoio técnico e humano da vizinha Escola Preparatória.
No inicio era o Raul, o Nuno, a Patrícia, a Daniela, o Mota, a Micá, a Sheila, a Filipa, a Helena, a Carla, o Mário ... juntos pusemos em marcha este movimento atraindo e envolvendo progressivamente outros jovens, que foram deixando a sua marca e contribuindo para a criação de um património colectivo, a definição duma identidade de grupo e a orientação do percurso de pesquisa, experimentação e divulgação que temos vindo a protagonizar.
FALANDO DO GATO SA E DA SUA LINGUAGEM
Desde o início que o grupo deu prioridade à prática oficinal assumindo a postura que o viria a caracterizar futuramente como grupo de pesquisa tendo por campo de experimentação e aprendizagem a Expressão Dramática, em sentido lato, de onde parte para a criação de espectáculos teatrais destinados não só ao universo escolar mas também à população em geral e reflectindo sempre preocupações específicas da aprendizagem que as precedeu.
Vimos sempre a Expressão Dramática como fonte de prazer e enriquecimento, objectivo bastante para justificar a nossa existência como grupo.
O Teatro, fazemo-lo com disciplina, persistência e suor...
Concluído um trabalho, é com expectativa e entusiasmo que voltamos à pesquisa aberta, à experimentação pouco estruturada, onde a aprendizagem é necessariamente lenta e o percurso sinuoso, mas o trabalho tem o sabor a aventura, a viagem, a férias no Verão quente.
A linguagem teatral, os seus mecanismos, as suas técnicas, são o pretexto para o desenvolvimento integral e harmonioso dos jovens, bem como a sua valorização pessoal.
A prática teatral tem contribuído decisivamente para a descoberta e o aprofundamento das capacidades expressivas dos jovens, a criação de hábitos de trabalho e o desenvolvimento da autonomia criativa.
Por outro lado tem estimulado a formação de conceitos estéticos não estereotipados e a criação de uma atitude de disponibilidade permanente para a pesquisa no campo das várias linguagens que convergem no teatro.
Mas para além disso, os elementos do GATO desenvolvem o sentido crítico em relação ao desempenho individual e dos colegas e aprendem a estabelecer altos padrões de qualidade, conscientes que apesar de dificilmente atingíveis eles lá estão como metas a orientar a viagem
Através da participação nos Encontros Nacionais de Teatro na Escola, o grupo estabeleceu contactos com inúmeros grupos escolares que desenvolvem actividades semelhantes, com a consequente troca de experiências estimulante e enriquecedora.
Por outro lado, a frequência de Acções de Formação, o estudo dos “Grandes Mestres”, o contacto com alguns criadores teatrais e as suas obras, etc., contribuíram para abrir novas perspectivas e para a criação duma atitude de disponibilidade permanente para a aprendizagem e o aperfeiçoamento técnico dos elementos do grupo.
Aos poucos, o grupo foi-se constituindo num pólo dinamizador da prática teatral nesta região, quer pelos espectáculos efectuados, quer pelas actividades de formação que apoia ou que realiza.